Execução

MODELO DE PETIÇÃO EXECUÇÃO. PENHORA. IMÓVEL RESIDENCIAL E DEFESA DE MEAÇÃO. CANCELAMENTO. EMBARGOS DE TERCEIRO PROMOVIDOS PELA EX-MULHER E FILHA DO EXECUTADO. INICIAL

13/01/21 | Comentários desativados em MODELO DE PETIÇÃO EXECUÇÃO. PENHORA. IMÓVEL RESIDENCIAL E DEFESA DE MEAÇÃO. CANCELAMENTO. EMBARGOS DE TERCEIRO PROMOVIDOS PELA EX-MULHER E FILHA DO EXECUTADO. INICIAL

Rénan Kfuri Lopes

Exmo. Sr. Juiz de Direito da

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…Vara Cível da Comarca de …

(Distribuição por dependência à ação de cobrança em fase de cumprimento de sentença n. …)

(nome, qualificação completa, endereço eletrônico e residencial), ex-mulher e meeira do imóvel penhorado e (nome, qualificação completa, endereço eletrônico e residencial), …filha do executado, residentes e domiciliadas á Rua … n. …, Bairro …, cidade de … (…), no mesmo imóvel objeto da penhora, através do advogado in fine assinado, ut instrumento de procuração em anexo (doc. n. …), vêm, respeitosamente, com fundamento nos artigos 674 usque 681 do Código de Processo Civil, c.c. art. 1º da Lei 8.009/90 c.c. arts. 6º e 226, § 4º da Constituição Federal, promover os presentes EMBARGOS DE TERCEIRO COM PEDIDO DE LIMINAR INAUDITA ALTERA PARTE DE MANUTENÇÃO DE POSSE (CPC, arts. 674 caput e 678) contra o BANCO …, sociedade de economia mista de capital aberto, CNPJ n. …, sito à Rua …  n. …, Bairro …, … (…), CEP … e (nome, qualificação, endereço eletrônico e residencial e OAB), pelas razões de direito adiante articuladas:

I- O CASO SUB IUDICE

1. O Banco … promoveu a ação de cobrança n. … apensada contra … e …, com fundamento em ser credor no valor de R$ … (…) — doc. n. …

2. A ação foi julgada parcialmente procedente para excluir do polo passivo o litisconsorte passivo … e condenou o outro demandado, … ao pagamento do valor de R$ … (…), acrescidos de juros remuneratórios, capitalização semestral de juros, juros moratórios de 1% ao mês, correção monetária pelo INPC, multa contratual de 10% e a título de verba honorária sucumbencial o percentual de 10% sobre o quantum da condenação (doc. n. …).

3. A colenda …ª Câmara Cível do TJ…, no julgamento da apelação cível n. …, relatoria do eminente Des. … deu parcial provimento ao recurso interposto pelo Banco … e negou provimento ao recurso adesivo aviado por …, transitado em julgado (doc. n. …).

4. Os ora embargados, BANCO …. e …  promoveram a execução da sentença.  A instituição financeira embargada executou o seu crédito oriundo das cédulas de crédito que compuseram o pleito inaugural, com os acréscimos aduzidos nas decisões judiciais. Enquanto, por seu turno, a advogada e coembargada … executou o valor correspondente à verba honorária sucumbencial, o que se depreende pela peça preambular da execução de sentença (doc. n. …).

5. Os embargados indicaram para fins de penhora, através de termo nos autos, a integralidade (100%) do imóvel registrado em nome de …, constituído por um lote de terreno com área de … m2, situado na Rua … n. …, cidade de … (…), registrado sob a matrícula n. …, perante o Cartório do …º Ofício de Registro de Imóveis de … (doc. n. …).

6. Esse d. juízo deferiu o pedido acima e ordenou a expedição do “Termo de Penhora” do imóvel indicado pelos embargados da Rua … n. …, da cidade de … (doc. n. …).

7. O então executado … promoveu impugnação ao crédito exequendo, alegando, em síntese:

– que no imóvel penhorado reside sua então esposa …, com quem já era separado de fato há 01 ano (ora coembargante);

– que no imóvel penhorado também residiam o filho …, nas netas … e …;

– por se tratar de imóvel residencial, ocupados por sua esposa, filho e netas, não poderia ser objeto de constrição judicial, diante da benesse concedida pela Lei 8.009/90 (doc. n. …).

8. A impugnação foi rejeitada por esse d. juízo, por entender possível a penhora, vez que o impugnante (…) era também proprietário de outro imóvel, localizado ao lado daquele penhorado (doc. n. …).

9. O então impugnante … interpôs o recurso de agravo de instrumento contra a r. decisão que rejeitou a impugnação, distribuído perante a colenda …ª Câmara Cível do TJ…, registrado sob o número … (doc. n. …).

10. Foi negado provimento ao agravo de instrumento, sob o fundamento de que … era proprietário de outro imóvel e não tinha legitimidade para defender direito alheio, ou seja, caberia a quem reside no imóvel arguir a sua impenhorabilidade na forma legal, como se depreende do corpo do aresto e do acórdão integrativo (doc. n. …).

11. … interpôs Recurso Especial que foi admitido e distribuído para a … Turma do colendo Superior Tribunal de Justiça, relatoria da Ministra …, cadastrado sob o n. …

12. Em decisão monocrática, a Ministra Relatora negou seguimento ao recurso especial, ratificando o entendimento do TJ…, pois … “está a defender direito alheio, e não o próprio, quando alega que no outro imóvel reside sua ex-mulher, com o filho e as netas” [sic – doc. n. …].

13. Deu-se seguimento à execução da sentença, formulando os ora embargados pedido para que o d. juízo designasse leilão judicial do bem penhorado constituído pelo imóvel no qual residem as ora embargantes e a coembargada é condômina de 50% (cinquenta por cento), localizado na Rua … n. …, em … (…) — doc. n. …

14. O d. juízo deferiu o pedido de designação de leilão judicial (doc. n. …).

15. Este o relato abrangente do processo principal em apenso.

II- PROCEDÊNCIA DA AÇÃO

II.1-AS EMBARGANTES RESIDEM NO IMÓVEL PENHORADO DA RUA  “RUA … N. …”  DESDE SUA AQUISIÇÃO –

IMPENHORABILIDADE DO IMÓVEL RESIDENCIAL DAS EMBARGANTES, PROTEÇÃO GARANTIDA PELA BENESSE DO ART. 1º DA LEI N. 8.009/90 E A RATIO LEGIS DOS ARTS. 6º e 226, § 4º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL –

PRECEDENTES DO STJ E DO TJMG –

16. De estalo afirma-se que o imóvel penhorado é o local onde residem ambas as embargantes há vários anos, sito o imóvel localizado na Rua … n. …, na cidade de … (…).

17. Destarte, cabíveis os presentes “embargos de terceiro” como o caminho legal que legitimam ativamente as embargantes na defesa da posse do imóvel penhorado. Outrossim, as embargantes e não são partes no processo matriz da ação de cobrança , acrescido do fato da coembargada … ser condômina do imóvel penhorado, aplicando-se na espécie a dicção do art. 674 do CPC :

“Art. 674. Quem, não sendo parte no processo, sofrer constrição ou ameaça de constrição sobre bens que possua ou sobre os quais tenha direito incompatível com o ato constritivo, poderá requerer seu desfazimento ou sua inibição por meio de embargos de terceiro.

§ 1º Os embargos podem ser de terceiro proprietário, inclusive fiduciário, ou possuidor.

§ 2º Considera-se terceiro, para ajuizamento dos embargos:

I – o cônjuge ou companheiro, quando defende a posse de bens próprios ou de sua meação, ressalvado o disposto no art. 843;

II – o adquirente de bens cuja constrição decorreu de decisão que declara a ineficácia da alienação realizada em fraude à execução;

III – quem sofre constrição judicial de seus bens por força de desconsideração da personalidade jurídica, de cujo incidente não fez parte;

IV – o credor com garantia real para obstar expropriação judicial do objeto de direito real de garantia, caso não tenha sido intimado, nos termos legais dos atos expropriatórios respectivos.”

18. Preleciona o Prof. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR que são legitimados para a lide “os titulares dos interesses em conflito. A legitimação ativa caberá ao titular do interesse afirmado na pretensão, e a passiva ao titular do interesse que se opõe ou resiste à pretensão“.

19. O remedium iuris de quem não seja parte da demanda, mas no curso do feito tenha algum bem ou direito penhorado, para proteção da sua propriedade, são os embargos de terceiro, como preleciona SÉRGIO SAHIONE FADEL: “os embargos de terceiro pressupõem a existência de um processo em curso. Há demanda entre as partes litigantes e, no curso dela, o juiz determinou a apreensão judicial de qualquer espécie: penhora, por exemplo, sobre bens de outrem (…). E este, na defesa de sua posse ou direito, intenta a ação de embargos de terceiro, incidentalmente à demanda principal, para mantê-la ou recuperá-la”.

20. A pretensão das embargantes nesse processado, na qualidade residentes e coproprietárias do imóvel penhorado da Rua … n. …, em …, é afastar a constrição judicial sobre o imóvel, diante do comando esculpido no art. 1º da Lei n. 8.009/90.

21. A propósito, desde a impugnação apresentada pelo finado … foi enfatizado que o imóvel penhorado tratava-se de imóvel onde residiam seus familiares e de copropriedade da ex-esposa …, não se compreendendo a insistência dos embargados na sua constrição, data venia.

22. Além da prova testemunhal que será produzida na oportunidade legal do processo de conhecimento, as embargantes comprovam através de farta prova documental, que, verdadeiramente, têm como sua residência a casa da Rua … n. …, na cidade de …(… juntando os seguintes documentos:

da embargante …:

– Contracheques mensais emitidos pela prefeitura Municipal de …;

– Fatura Associação Arautos do Evangelho do Brasil;

– Associação Católica Nossa Senhora de Fátima.

(doc. n. …)

da embargante …:

– Conta de água mensal expedida pela Copasa;

– Conta Telemig do Celular particular;

– Conta Vivo Telecomunicações particular;

– Contracheques mensais emitidos pelo Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão;

– Extratos Bancários mensais expedidos pelo Banco do Brasil S/A

(doc. n. …)

23. A matéria sub examine tem natureza de ORDEM PÚBLICA. Repousa no ambiente da Lex Mater guarnecido pelo art. 6º que prega o direito social à moradia, como também no art. 226, § 4º quando coloca a família como sustentáculo da sociedade, et pour causae decretou-se por lei ordinária a proteção ao imóvel residencial do devedor como se denota do comando preconizado pelo art. 1º da Lei n. 8.009/90, in verbis:

CF. art. 6º. São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”.

CF. art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. omissis…§ 4º – Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes… omissis…”

LEI 8.009/90. Art. 1º. O imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e não responderá por qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra natureza, contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses previstas nesta lei.

Parágrafo Único. A impenhorabilidade compreende o imóvel sobre o qual se assentam a construção, as plantações, as benfeitorias de qualquer natureza e todos os equipamentos, inclusive os de uso profissional, ou móveis que guarnecem a casa, desde que quitados”.

24. A defesa da moradia do devedor é priorizada pela Lei Federal n. 8.009/90, com caráter eminentemente social, como salienta RITA DE CÁSSIA CORRÊA DE VASCONCELOS, in litteris:

Hipótese interessante, sobretudo no tocante ao reconhecimento de ofício da impenhorabilidade, é a do bem de família legal, por tratar-se a Lei 8.009/90 de norma de ordem pública, de caráter imperativo, que protege o devedor e sua família assegurando-lhes moradia e sobrevivência digna, e cuja aplicação interessa ao Estado na mesma proporção em que os casos de impenhorabilidade previstos no art. 649. Justamente pelo interesse público da referida lei, é considerada nula qualquer cláusula contratual onde as partes convencionem afastar a sua incidência; o benefício da impenhorabilidade é, nesse aspecto, irrenunciável (…) Pela mesma razão, o caráter público da Lei 8.009/90 não permite afastar a sua incidência quando o devedor, por desconhecimento do benefício legal ou mesmo por descaso, deixa de arguir tempestivamente a impenhorabilidade. Não sendo a ausência de arguição tempestiva pelo devedor, considerada renúncia ao benefício, a jurisprudência tem admitido, predominantemente, a discussão sobre a impenhorabilidade do bem de família até os embargos à arrematação, sendo possível argui-la nos próprios autos da execução (…) A melhor orientação, entretanto, é a que permite seja suscitada a invalidade até mesmo nas Instâncias Superiores, porque considerada matéria de ordem pública, de grande relevância social“.

25. O autorizado SÍLVIO DE SALVO VENOSA com propriedade aborda a mens legis da Lei n. 8.009/90:

Trata-se de norma que amplia o bem de família tradicional, de evidente cunho de ordem pública, colocando a salvo de credores basicamente o imóvel do casal ou da entidade familiar (…)

A divagação agora passa a ser em torno da inspiração sociológica e histórica dessa lei. Pacífico é que se trata de diploma de ordem pública. Embora regulando relações privadas, tem reflexos fundamentais no processo executório, de direito público, portanto. Não se trata, porém de simples norma processual, como não o é o bem de família no código Civil (…)

Por outro lado, positivamente, vemos que a lei procurou proteger a família do devedor, garantindo as condições mínimas de sobrevivência digna, a salvo das execuções por dívidas, avolumadas, em grande parte, não pela voracidade consumista do devedor, mas pelos tormentos e desacertos de uma economia cronicamente conturbada como é a do nosso país (…)

A Lei 8.009/90, com todas as suas falhas, foi evidentemente muito mais avançada, fazendo com que a impenhorabilidade do imóvel de moradia decorra imperativamente da lei”.

26. Assevera ÁLVARO VILLAÇA DE AZEVEDO em relação ao propósito de proteção da Lei n. 8009/90: “o instituidor é o próprio Estado, que impõe o bem de família, por norma pública, em defesa da célula familiar. Nessa lei emergencial, não fica a família à mercê de proteção, por seus integrantes, mas é defendida pelo próprio estado, de que é fundamento“.

27. Não discrepa CARLOS GONÇALVES: “A Lei n.º 8.009/90 é uma delas, e o escopo do legislador não foi o de favorecer o devedor, mas de proteger a família. O caráter eminentemente social da lei é insofismável e o direito do credor a ele não se sobrepõe, uma vez que se destina à solução de graves conflitos no âmbito social“.

28. Logo, tendo sido penhorado o imóvel ocupado pelas embargantes como residência das embargantes, de … (ex-esposa do devedor e coproprietária) e … (filha do devedor e coproprietária com a abertura da sucessão), as benesses da Lei n. 8.009/90 tornou defeso a penhora do bem para fins de garantia do título judicial exequendo, data venia.

29. Único o repertório jurisprudencial pátrio, respaldado por múltiplas decisões do nobre SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA e do augusto TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE MINAS GERAIS em situações idênticas à sub cogitabondo:

RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. EXECUÇÃO. EMBARGOS DE TERCEIROS. PENHORA INCIDENTE SOBRE IMÓVEL NO QUAL RESIDEM FILHAS DO EXECUTADO. BEM DE FAMÍLIA. CONCEITO AMPLO DE ENTIDADE FAMILIAR. RESTABELECIMENTO DA SENTENÇA. 1. “A interpretação teleológica do Art. 1º, da Lei 8.009/90, revela que a norma não se limita ao resguardo da família. Seu escopo definitivo é a proteção de um direito fundamental da pessoa humana: o direito à moradia” (EREsp 182.223/SP, Corte Especial, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ 6/2/2002). 2. A impenhorabilidade do bem de família visa resguardar não somente o casal, mas o sentido amplo de entidade familiar. Assim, no caso de separação dos membros da família, como na hipótese em comento, a entidade familiar, para efeitos de impenhorabilidade de bem, não se extingue, ao revés, surge em duplicidade: uma composta pelos cônjuges e outra composta pelas filhas de um dos cônjuges. Precedentes. 3. A finalidade da Lei nº 8.009/90 não é proteger o devedor contra suas dívidas, tornando seus bens impenhoráveis, mas, sim, reitera-se, a proteção da entidade familiar no seu conceito mais amplo.” (STJ – REsp 1126173/MG,  Rel. Min. RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA DJ 12/04/2013).

RECURSO ESPECIAL – EMBARGOS DE TERCEIRO – DESCONSTITUIÇÃO DA PENHORA DO IMÓVEL NO QUAL RESIDEM OS EMBARGANTES – LEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM – MEMBROS INTEGRANTES DA ENTIDADE FAMILIAR – BEM DE PREVISTO NA LEI Nº 8.009/90 –  1 – Os filhos da executada e de seu cônjuge têm legitimidade para a apresentação de embargos de terceiro, a fim de desconstituir penhora incidente sobre o imóvel no qual residem, pertencente a seus genitores, porquanto integrantes da entidade familiar a que visa proteger a Lei nº 8.009/90, existindo interesse em assegurar a habitação da família diante da omissão dos titulares do bem de família. Precedentes.” (REsp nºs 345.933/RJ e 151.238/SP).(STJ,  REsp 511023/PA, Rel. Min. JORGE SCARTEZZINI, DJ. DJ 12/09/2005)

CIVIL. BEM DE FAMÍLIA. O imóvel em que reside a ex-esposa e os filhos do devedor tem o caráter de bem de família, merecendo a proteção legal da Lei nº 8.009, de 1990. Recurso especial conhecido e provido para julgar procedentes os embargos de terceiro.” (STJ. Recurso Especial nº 931.196, Relator: Min. ARI PARGENDLER, DJ. 08.04.2008).

PROCESSO CIVIL. EXECUÇÃO. PENHORA. BEM DE FAMÍLIA. SEPARAÇÃO DO CASAL POSTERIOR. PENHORA INCIDENTE SOBRE IMÓVEL QUE O EX-MARIDO VEIO A RESIDIR. EXCLUSÃO. MÁ-FÉ NÃO DEMONSTRADA. RECURSO IMPROVIDO. 1. A impenhorabilidade do bem de família, prevista no art. 1º, da Lei n.º 8.009⁄90, visa resguardar não somente o casal, mas a própria entidade familiar. 2. A entidade familiar, deduzido dos arts. 1º da Lei 8.009⁄90 e 226, § 4º da CF⁄88, agasalha, segundo a aplicação da interpretação teleológica, a pessoa que, como na hipótese, é separada e vive sozinha, devendo o manto da impenhorabilidade, dessarte, proteger os bens móveis guarnecedores de sua residência. Precedente: (REsp 205170⁄SP, DJ 07.02.2000). 3. Com efeito, no caso de separação dos cônjuges, a entidade familiar, para efeitos de impenhorabilidade de bem, não se extingue, ao revés, surge uma duplicidade da entidade, composta pelos ex-cônjuges varão e virago. 4. Deveras, ainda que já tenha sido beneficiado o devedor, com a exclusão da penhora sobre bem que acabou por incorporar ao patrimônio do ex-cônjuge, não lhe retira o direito de invocar a proteção legal quando um novo lar é constituído. 5. A circunstância de bem de família tem demonstração juris tantum, competindo ao credor a prova em contrário. 6. Conforme restou firmado pelo Tribunal a quo, a Fazenda exequente não fez qualquer prova em sentido contrário passível de ensejar a configuração de fraude, conclusões essas inarredáveis nesta via especial ante o óbice da súmula 07⁄STJ. 7. Recurso especial improvido.” (STJ – Resp .n.  859.937 – SP – Rel. Min. LUIZ FUX,  DJ. 28.02.2008).

CIVIL E PROCESSUAL CIVIL – EMBARGOS DE TERCEIRO – PENHORA DE BEM IMÓVEL – LEGITIMIDADE ATIVA  -Tem LEGITIMIDADE E INTERESSE PARA OPOR EMBARGOS DE TERCEIROS aquele que, embora não faça parte da execução, sofre turbação ou esbulho na posse de bem de sua propriedade, com a penhora havida na execução, ainda que somente detenha a posse do imóvel com base em promessa de compra e venda desprovida de registro, nos termos da Súmula 84 do STJ.” (TJMG, Apel. Cível n. 1.0049.09.016454-9/001, Rel.Des.Márcia De Paoli Balbino,DJ: 08/01/2013).

APELAÇÃO CÍVEL – EMBARGOS DE TERCEIRO – IMÓVEL FAMILIAR – DESCONSTITUIÇÃO DA PENHORA – FILHOS DOS EXECUTADOS – LEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM – PRECEDENTES. Os filhos dos executados possuem legitimidade para a oposição de embargos de terceiros visando desconstituir a penhora recaída sobre o imóvel no qual residem.” (TJMG, Apel. Cível, n. 1.0145.08.450652-9/001, Rel. Des. Barros Levenhagen, DJ:13/10/2008).

EMBARGOS TERCEIROS – EXECUÇÃO – PENHORA DE IMÓVEL – BEM DE FAMÍLIA – IMPENHORABILIDADE – LEI 8.009/90, ART. 1º  – Nos termos do art. 1º, da Lei 8.009/90: “O imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e não responderá por qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra natureza, contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses previstas nesta lei”.  – Considera-se bem de família o único imóvel residencial utilizado pela família como moradia. Recurso não provido.” (TJMG, Apel. Cível n.1.0701.11.006004-6/001, Rel.Des.Nilo Lacerda, DJ:18/02/2013).

EMBARGOS TERCEIROS – EXECUÇÃO FISCAL – PENHORA DE IMÓVEL – BEM DE FAMÍLIA – IMPENHORABILDADE – LEI 8.009/90, ART. 1º – HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS – ART. 20, §4º, CPC. – Nos termos do art. 1º, da Lei 8.009/90: “O imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e não responderá por qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra natureza, contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses previstas nesta lei“. (TJMG, Apel. Cível n. 1.0479.08.157798-9/001, Rel. Des. Eduardo Andrade,23/11/2012).

EMBARGOS TERCEIROS – EXECUÇÃO – PENHORA DE IMÓVEL – BEM DE FAMÍLIA – IMPENHORABILIDADE – LEI 8.009/90, ART. 1º  – Nos termos do art. 1º, da Lei 8.009/90: “O imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e não responderá por qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra natureza, contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses previstas nesta lei”.

– Considera-se bem de família o único imóvel residencial utilizado pela família como moradia. Recurso não provido.” (TJMG, Apel. Cível n. 1.0701.11.006004-6/001 Rel. Des.(a) Nilo Lacerda DJ.18/02/2013

EMBARGOS À PENHORA – IMPENHORABILIDADE DO BEM DE FAMÍLIA – MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA – CONFIGURAÇÃO – INSUBSISTÊNCIA DA PENHORA – RECONHECIMENTO EX OFFICIO – POSSIBILIDADE – INTEMPESTIVIDADE AFASTADA. A impenhorabilidade do bem de família tratada pela Lei 8.009/90 pode ser alegada em qualquer fase processual, já que se trata de matéria de ordem pública. Sendo a questão da impenhorabilidade matéria de ordem pública, ao magistrado cabe reconhecê-la a qualquer tempo e grau de jurisdição e mesmo que ex officio, não havendo que se falar em prazo preclusivo para suscitar nulidade, donde se conclui pela impossibilidade de ser reconhecida a intempestividade dos embargos opostos”. (TJMG, Apel. Cível n. 1.0439.06.057638-6/001, Rel. Alvimar de Ávila, DJ 02.06.2007).

EMBARGOS DE TERCEIRO – ALEGAÇÃO DE IMPENHORABILIDADE ABSOLUTA – QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA – POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO – BEM DE FAMÍLIA – IMPENHORABILIDADE – LEI 8.009/90 – IMPENHORABILIDADE RECONHECIDA – SENTENÇA MANTIDA. – A impenhorabilidade absoluta de bem é matéria de ordem pública, podendo ser invocada em qualquer fase processual, razão pela qual não cabe alegar a ocorrência de coisa julgada pelo fato de o companheiro da embargada não ter levantado a questão da impenhorabilidade de bem de família quando da apresentação dos embargos à execução. – Verificado que o bem preenche os requisitos do art. 1º, da Lei 8.009/90, mister se faz o reconhecimento de sua impenhorabilidade, valorizando-se, assim, os princípios constitucionais que inspiraram a Lei 8.009/90: o direito à moradia, a dignidade da pessoa humana e a proteção à entidade familiar. – Sentença mantida.” (TJMG, Apel. Cível, n. 0610720-11.2005.8.13.0342 Rel.Des.Sandra Fonseca, DJ.04/12/2012).

PENHORA DE IMÓVEL. BEM DE FAMÍLIA. IMPENHORABILIDADE. LEI N. 8.009/1990. PROVA DO CARÁTER DE BEM DE FAMÍLIA.  Ao se instituir a impenhorabilidade do imóvel residencial destinado à moradia do devedor e de sua família, a Lei n. 8.00919/90 teve como escopo não proteger o devedor, mas sim proteger a unidade familiar, a sobrevivência digna dos dependentes do devedor, mesmo que em detrimento do inadimplemento econômico. Esta legislação protege matéria de ordem pública e de interesse social e, por conseguinte, limitativa de interesses privados. (TJMG, Apel. Cível, n. 1.0024.11.171253-5/002 Rel. Des. Cabral da Silva, DJ.12/04/2013).

30. Vale ressaltar os precedentes da r. 10ª Câmara Cível do TJMG:

BENS DE FAMÍLIA IMPENHORABILIDADE – LEI N.º 8.009/90 – IMPOSSIBILIDADE.

De acordo com artigo 1º da Lei 8009/90, o imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e não responderá por qualquer tipo de divida civil comercial, fiscal e previdenciária ou de outra natureza, contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses previstas nesta Lei.” (TJMG, Apel. Cível n. 1.0431.06.031843-0/001, Des. Rel. Pereira da Silva, DJ: 15/03/2013).

AGRAVO DE INSTRUMENTO – IMPENHORABILIDADE DO BEM DE FAMÍLIA – BEM ADVINDO DE HERANÇA – VÁRIOS PROPRIETÁRIOS – IMPOSSIBILIDADE DA PENHORA. – Bem de família indivisível não pode ser penhorado para pagar débito de um dos herdeiros dele beneficiário, pois a constrição da fração contamina a sua totalidade.” (TJMG, Agravo de Instrumento n. 1.0479.02.045223-7/002, Des. Rel. Gutemberg da Mota e Silva, DJ: 13/01/2012).

AGRAVO DE INSTRUMENTO – AÇÃO DE EXECUÇÃO – PENHORA DE BENS DA DEVEDORA – IMÓVEL URBANO – CONSTRIÇÃO JUDICIAL SOBRE 50% DO IMÓVEL – BEM DE FAMÍLIA – DESMEMBRAMENTO DO BEM – IMPOSSIBILIDADE. De Acordo com o art. 1º da Lei 8.009/90, o imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e não responderá por qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra natureza, contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses previstas nessa Lei. Mesmo havendo no referido bem um escritório de contabilidade, onde a recorrente exerce sua profissão, não se tem como afastada a sua impenhorabilidade. Isto porque não existe na Lei 8.009/90 qualquer previsão legal para exclusão da condição de bem de família na hipótese de se tratar de imóvel de uso misto. Recurso provido.” (TJMG, Agravo de Instrumento n. 1.0363.07.030152-0/001, Des. Rel. Electra Benevides, DJ: 22/01/2010).

31. Pelos motivos acima de ordem legal, impõe-se a procedência dos presentes embargos de terceiro para afastar da penhora a integralidade do imóvel objeto da penhora nos autos da execução de sentença em apenso.

II.2- DEFESA DA EX-MULHER DO EXECUTADO (falecido) EM RELAÇÃO À SUA PROPRIEDADE DE 50% DO IMÓVEL PENHORADO DA  “…”

32. Acaso superada a premissa do tópico anterior quanto à impenhorabilidade do imóvel que se constitui na residência da ex-mulher e filha do devedor, o que se alude em homenagem ao princípio da eventualidade, não se poderá penhorar a integralidade do bem.

33. A coembargante …, casou-se em “…” sob o regime de comunhão universal de bens  com … e o imóvel da Rua … n. …, em …, foi adquirido na constância do casamento do casal em “…”, o que se verifica pelo registro da matrícula do imóvel (vide doc. n . …) e certidão de casamento (doc. n. …).

34. Através da v. sentença proferida em “…” pelo d. juízo da …ª Vara de Família e Sucessões de …, nos autos da separação judicial amigável, processo n. …, foi homologada a separação judicial da coembargante …

35. Estabeleceu-se na petição de acordo da separação judicial que a coembargada … permaneceria com a propriedade do percentual de 50% (cinquenta por cento) do imóvel da Rua … n. …, em … Significa dizer que foi respeitada o direito à meação da coembargante …, que desde a aquisição do imóvel em “…” (data da escritura), detinha a propriedade da sua metade, em virtude do regime de casamento com o executado de COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS, sucedendo o registro da compra em “…” (data do registro- R. …) — vide doc. n. … Expediu-se, inclusive, o competente mandado de averbação nos termos da separação para ser cumprido perante o Cartório do …º Ofício de Registro de Imóveis de …, perante a Matrícula n. … (doc. n. …).

36. Como dito, a separação do casal foi regularmente averbada perante o competente Cartório de Registro Civil de … (vide doc. n. …).

37. Na data de “…” ocorreu o óbito do então executado … (doc. n. …).

38. Encontra-se em tramitação o inventário do devedor, finado …, figurando como inventariante o seu filho …, processo n. …, …ª Vara Cível de … (doc. n. …).

39. E é objeto do inventário a metade do imóvel constituído pela casa residencial da Rua … n. … —a outra metade pertence à coembargante …—, figurando como uma das beneficiárias e herdeiras, a filha do inventariado/devedor, ora embargante, …, conforme se infere da sua Carteira de Identidade ora anexada (doc. n. …).

40. Portanto, desde a aquisição e como restou avençado nos termos da separação judicial, a ora embargante … permaneceria era coproprietária de 50% (cinquenta por cento) do imóvel penhorado, localizado na Rua … n. …, Bairro …, cidade de …, matrícula n. …, Cartório do …º Ofício de Registro de Imóveis de …, jamais poder-se-ia penhorar a “integralidade” do imóvel de propriedade de outrem que não figuraram como devedor no título judicial exequendo!

41. Importante frisar que a partilha dos bens foi regularmente averbada perante a matrícula do imóvel n. …, Av. …, transferindo para a coembargante … a titularidade dominial de 50% (cinquenta por cento) sobre o imóvel penhorado (vide docs. …).

42. Portanto, quando lavrado o Termo de Penhora ocorrido em … (vide doc. n. …) da integralidade do imóvel, irritamente foi penhorado a parte (metade) da propriedade da coembargante, cuja titularidade dominial existia desde a sua aquisição sucedida anteriormente, em “…” (vide doc. n. …).

43. Assim, sobre a integralidade do imóvel a coembargante … exercia a posse.  E sobre o domínio do imóvel em questão, quando da realização da penhora, já era proprietária da sua metade com a titularidade dominial registrada em consonância com as disposições contidas nos arts. 1.225, I; 1.227 e 1.228, caput, todos do Código Civil.

44. Com essas considerações de natureza legal, considerando o direito dominial da coembargante …de 50% (cinquenta por cento) do imóvel, se porventura ultrapassada a preposição anterior, seja afastada da penhora a metade do imóvel.

III – PEDIDOS

45. Ex positis, as embargantes requerem:

a) seja DE PRONTO, no despacho inaugural, seja ORDENADA A SUSPENSÃO DAS MEDIDAS CONSTRITIVAS SOBRE O IMÓVEL na presente “ação de cobrança em fase de cumprimento de sentença n. …”, objeto dos presentes embargos de terceiro;

b) sejam JULGADOS PROCEDENTES OS PRESENTES EMBARGOS DE TERCEIRO para:

em primeira premissa: cancelada a penhora recaída sobre o imóvel de residência e moradia das embargantes, localizado na Rua … n. …, Bairro …, cidade de …a, expedindo-se mandado de cancelamento da penhora no …, perante o CRI do …º Ofício de Imóveis de …;

cumuladamente,

acaso, superada a premissa anterior, seja cancelada a penhora sobre a metade do imóvel penhorado de propriedade, preservando-se a titularidade dominial da coembargante …, sito na Rua … n. …, Bairro …, cidade de …, expedindo-se mandado nesse sentido, retificando o …, perante o CRI do …º Ofício de Imóveis de …;

c) sejam condenados os embargados ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios;

d) sejam citados os embargados nos endereços registrados no preâmbulo, para, querendo, contestar no prazo de 15 (quinze) dias, sob pena de revelia (CPC, art. 679);

e) a produção de provas documental, testemunhal, e pericial;

f) a concessão às embargantes dos benefícios da assistência judiciária, pois não têm condições de pagar com as custas processuais dos presentes embargos de terceiro, sem que isso acarrete prejuízos à sua própria sobrevivência, conforme declarações ora anexada, por serem pobres no sentido legal, ressaltando que os advogados signatários não cobrarão honorários pelo patrocínio da presente demanda (doc. n. …).

g) a distribuição por dependência à “ação de cobrança em fase de cumprimento de sentença n. ..”. (CPC, art. 676);

h) o cadastramento dos advogados signatários para as vindouras intimações, na forma legal, sob pena de nulidade (CPC, arts. 272 § 2º e 273).

Valor da causa: R$ … (…)

P. Deferimento.

(Local e Data)

(Assinatura e OAB do Advogado)

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